quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vagueando …



É cedo
Muito cedo ainda

A praia está completamente deserta
O vento desprende – me os revoltos cabelos
Que tento, em vão, apaziguar

Caminho sozinha pelo branco areal
Fito a imperceptível linha que delimita, ao longe, o horizonte

Tudo é azul
Tudo é calmo
Tudo é paz

As ondas espreguiçam – se suavemente
Salpicando – me as calças semi – arregaçadas

O ritmo compassado da sua dança
Embala o meu sono cansado
Deixo – me, lentamente, adormecer

Deitada na areia
Toda eu sou mar

Mergulho, à deriva, pensamentos soltos
Sinto – me livre
Respiro paz


11 de Fevereiro de 2009,
Carla Alves
©


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Momentos …



Faz tempo que não escrevo
E como eu gosto de por no papel as minhas ideias!
Deixá – las fluir
Livremente

Ao sabor das emoções
Rodopiando por entre o teclado
Noctívago

Procurando no sossego da noite
A paz
O silêncio onde bebo a inspiração

No qual deito o meu colo cansado
Exausto
E com ele teço um bailado solitário

Eu,
A minha imaginação,
E as palavras soltas
Que me dão voz

Sinto – me rejuvenescida!
Vivo através da escrita
Respiro poesia
E sem ela não consigo adormecer
O cansaço entediante
Dos meus dias …

Carla Alves ©
18 de Janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Momentos …



O vento sopra
Forte
A chuva cai
Intensamente

Vazio
A rua está deserta

Oiço, lá fora, os assobios vorazes
O ritmo compassado das gotas de água que caem
Abruptamente

Lembro – me de ti …

Escrevo freneticamente
O teclado range
As ideias flúem velozmente

E aquilo que seria
Supostamente
Um poema de amor

Acaba por ser
Um mero registo
De um efémero momento

Solitário
Povoado pela recordação
De ti

Carla Alves ©
18 de Janeiro de 2009

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

À partida da descoberta …



Pintei o meu pequeno mundo

Num mosaico imaginário


Feitos heróicos

Viagens

Descobertas


Lutas desiguais

Batalhas ensanguentadas

Num mural feito em pedra


Fito, atentamente, o desenho geométrico

Embarco na bússola do tempo

E fundo – me no emaranhar

Das ondas

No latejar dos trovões

Que, ininterruptamente,

Me arrastam para a tropelia de corpos

Semi – desnudos

Tentam, em vão,

As velas quinhentistas apaziguar



Por fim

Avisto, ao longe, terra …



O mar está sereno

Rumo face à aventura



Há uma panóplia de línguas

Por explorar

Culturas ancestrais por assimilar

A minha pátria

Neste pequeno mosaico

Representar


A sangue

Em tons de canela

Ouro

Seda

Marfim



Desperto deste sonhar acordado

Oiço ao longe a próxima excursão de turistas

Aproximar – se

Vêm à procura do conhecimento



Boa tarde

Eu sou o Joaquim

Serei o vosso guia


Esboço um sorriso rasgado

Ajeito, num ápice, a gola da camisa

Afinal há que ter orgulho em ser Português!



Carla Alves ©

01 de Dezembro de 2008




Fotografia – Nuno de Sousa ©

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Velas ao Vento



Navegando nas asas da imaginação

Rumo à descoberta

Do infinito


Respirando azul

Bebendo a curiosidade sagaz

Que me projecta face ao desconhecido


Avisto, ao longe, um porto

Branco

Tons de malva

Laranja – Lilás

Verde cristalino


As ondas embalam

Compassadamente

Este veleiro errante

Suavizando a ânsia

Do que está, ainda, por descobrir


Lanço a âncora

Salto freneticamente para a água

Fundo – me na imensidão de azul

E desapareço

Por entre a espuma duma onda

Revolta

Livre

Leve

Solta


Parto à descoberta!



9 de Dezembro de 2008

Carla Alves
©

Instantes …



As ondas embalam o meu sono cansado
A brisa marítima transporta – me para outro lugar

Etéreo
Límpido
Lunar

O vento beija – me os cabelos revoltos
A areia fina acaricia – me a pele
O sol aquece o meu corpo que, aos poucos,
Se deixa levitar

Sinto um vazio em mim
Onde estão as palavras que percorrem, frenéticas, este cérebro
Acelerado?
Onde estão as ideias que invadem, a cada segundo, o percurso vertiginoso das letras que dão voz a essas mesmas palavras?

Vazio …
Nada me ocorre

E, contudo,
É esta a paz que incessantemente procuro
E que só aqui
À beira – mar
Consigo, por breves instantes,
Encontrar.


Carla Alves ©
03 de Dezembro de 2008

Amor fugaz …



Não me peças amor

Porque eu não sei amar.

Não me peças companhia

Porque solitária gosto de vaguear.

Livre,

Efémera,

Fugaz.

Paixão intensa que,

Na brevidade do tempo,

Eternamente recordarás.


Carla Alves ©
02 de Dezembro de 2008