sábado, 1 de agosto de 2009

Em vão …


Esperei por ti …

Não vieste.


O vento sussurrava baixinho

Enquanto por ti esperava


Fingi não ouvir o segredo que

Abruptamente me revelava.


Esperei …

Em vão esperei.


Na praia deserta.

Guardei os meus sonhos para lá da linha

Do horizonte


Lá longe,

Tão distante,

Fora do alcance da minha pequena mão

Gelada


O vento corta-me a pele

Grita agora bem alto

Espalhando pelo areal

Aquilo que tento, em vão, não escutar.


Ignoro os seus intentos.

E, um pouco mais, esperei …

Fui esperando,

Desesperadamente,

Até que decidi partir

Solitária


O vento parou repentinamente.

Olho ao meu redor

Escuto,

Atentamente, o silêncio

Que me cerca

Encosto um pequeno búzio à minha face

Enregelada …


Sorrio.

O som das ondas

Diz-me enraivecido que

Amanhã

Talvez virás …


1 de Agosto de 2009

Carla Alves ©


3 comentários:

Elcio Tuiribepi disse...

Oi Carla, talvez nada mesmo seja em vão, pois talvez para tudo haja um propósito, mesmo que este no momento nos pareça incompreensível...
Sorrir e viver ainda é o melhor remédio...um abraço na alma
Bom fim de semana...

Nilson Barcelli disse...

Quem espera, desespera...
Mas a esperança do dia seguinte não morre, porque há mais marés que marinheiros...
Querida amiga, gostei imenso deste teu magnífico poema.
Boa semana, com boa praia, se possível.
Um beijo.

Helena Paixão disse...

Que lindo Carla! Descreveste de uma forma tão romântica e bonita a incerteza da espera... fica-se com a sensação de que afinal não é assim tão triste.

Bjocas :-)