sexta-feira, 4 de julho de 2008

O tempo que passa incessante …



Olho – me ao espelho e vejo
O rosto de sempre.
Sem marcas do tempo
Sem sinais da minha
Já longa caminhada.


Continuo a ser
A eterna criança:
Alegre
Feliz
Sonhadora.


Contudo,
O tempo passa.
A vida corre a uma velocidade estonteante.
Tudo gira
À minha volta
Como se perante um looping
Desafiante
De uma montanha – russa
Me encontrasse.


Hoje parei em frente ao espelho
E tentei passar a fronteira daquele rosto
Usual.
Deparei – me, então, com uma coisa fascinante
Nunca antes apercebida:


Envelheci.
O tempo pintou o meu rosto
Com novas paletas.
Tons de branco
Nos meus negros cabelos
Deixou.


Mas, a eterna inocência
O brilho no meu olhar
Serão,
Para sempre,
Intemporais.


Volto as costas ao espelho.
Saio para a rua
E corro
Para “apanhar” o dia que já vai
A meio …



04 de Julho de 2008,
Carla Alves
©


1 comentário:

EVA disse...

Olá Carla:
Este teu poema é lindíssimo, gosto muito dele e penso que o fizeste para ti.Realmente as brancas vão aparecendo, mas podes crer que te ficam muito bem e não são sinónimo de velhice. És demasiado jovem para pensares no "O tempo que passa incessante"; tens por certo muito para viveres e para continuares a ser a profissional que sempre foste, pois acho que tens uma das mais belas profissões. Não há nada melhor que darmos aos mais pequeninos aquilo que sabemos. Tu és uma professora muito competente e digna da profissão que escolheste para dela fazeres o teu ganha pão. Quem faz o que tu fazes so deve, só pode ter muito orgulho, daí o teu belo cabelo ter algumas brancas. São lindas... são o agradecimento da tua profissão. Beijinhos e continu como és. Eva