terça-feira, 25 de março de 2008

Fragmentos...


Desce a rua
Com um andar apressado,
As calças de ganga rasgadas
Nos joelhos
Os atacadores desapertados
Um completo desalinho
De cores, de tecidos, de formas …


Toca à campainha de uma porta
Sem número, sem rosto
Um sorriso matreiro de uma criança
Traquina, que de mãos nos bolsos
Se dirige à tabacaria mais próxima
Para comprar berlindes e jogar …


… Sozinho, no pátio de um prédio
Descaracterizado, sem cor, sem pessoas, sem alma
Para trás ficou a escola, o professor, os livros
Os amigos que não sabem brincar a este jogo
Do faz – de – conta …


Existe tanta vida escondida nas cores vivas, luminosas
Destes berlindes!


E essa vida gira, tão depressa, tão rápida, tão cheia de alegria
Como o movimento suave das suas mãos
De criança
Curiosa
A espreitar o mundo encantado que existe
Para lá das cores ofuscantes desses berlindes
Gastos pelo uso do tempo que passa …


A correr, apressado, saltitante
Como a criança que os lança
Risonha
O ar matreiro
De quem ousa desafiar a monotonia dos dias que correm
Sempre iguais.



02 – 08 – 2007
Carla Alves
©

Palavras soltas


Escrevo
Quando me sinto só


Escrevo
Quando estou triste ou em revolta interior
Contra um mundo, por vezes, ingrato
Muitas vezes cruel
Injusto …


Escrevo
Quando as ideias fervilham na minha mente
As palavras rompem barreiras
Os sentimentos transbordam à flor – da – pele


Quando escrevo
Liberto a essência do meu ser
Sinto – me feliz
Porque partilho, através da escrita, o meu mundo interior
Povoado de memórias
Sentimentos
Emoções


Carla Alves ©
22 de Março de 2008

Auto – Retrato






Esboço aqui o meu auto – retrato
Feito num ápice
Em tons de emoção
Sou livre como as palavras que deambulam
Por entre tanta imaginação


Sonho com planícies intermináveis
Coloridas de flores e borboletas cetim
Rios, lagos e mares
Azul, verde, turquesa
Cheiro a jasmim


Volto à terra
Deixo a lua
Acordo
Sorrio para o mundo
Que espreita por entre a minha janela
Semi – aberta
Frio, cinzento, chuva


Pego num pincel e pinto – o de vida
Transborda cor, alegria
O riso das crianças que correm, felizes
O olhar dos sem – abrigo que brilha
Melodia de tempos passados
Agora revividos …
A esperança daqueles que sofrem
É – lhes devolvida


Eu trago a vida, a alegria, a cor
Apago da minha tela as cores frias,
Os dias de chuva
A falta de amor …


Sou livre como as palavras que escrevo
E como elas saltito, linha após – linha,
Correndo envolta no meu pensamento
Que viaja para além do Sol, do Universo
Num batel de criatividade feito a vapor


Carla Alves ©
27 de Dezembro de 2007



Fotografia – Carla Alves ©